Quem Somos

O começo foi nas várzeas da ponte pequena, hoje próximo a estação armênia do metro.  La morava uma família de imigrantes italianos, os Angelini. Gente simples habitavam uma casa modesta dentro dos padrões do operariado da época.

O pai, Adolpho havia chegado da Itália em junho de 1896 junto a esposa, Atília. Junto, traziam um bebê de poucos meses de idade, Carlo, nascido em Toano, pequeno vilarejo localizado em um província da Itália central. Abdicaram não só da pátria em que nasceram mas também da família, a qual  era relativamente bem posta na época – um dos irmãos de Adolpho era padre e, o outro,  professor da universidade de Pisa. Aventuraram-se como tantos a procura de um sonho, de um nova vida , fugindo de um continente economicamente desgastado e sem perspectivas para a juventude.

Depois de um inicio difícil, aos poucos o jovem casal foi se adaptando a nova pátria e mais filhos vieram, na verdade uma série deles. Sylvio, o caçula da família era talvez o mais irrequieto. Dividia sua vida entre o trabalho, a família mas também adorava jogar bola na várzea e os bailes ( jogava e dançava muito bem alias). La pelos 18, 19 anos, contudo, coisas estranhas aconteciam com ele. Fatos sem explicação que se acumulavam. Era quando jogava bola, por exemplo, e escutava vozes. Olhava para ver quem o chamava mas não encontrava ninguém.  Estas mesmas vozes o acompanhavam na rua, gritando seu nome. Um fato em família – a doença de uma irmã – levou-o a uma casa espírita pela primeira vez.

Junto com seus irmãos mais velhos, Carlo e Spartaco, começou a adentrar os meios espíritas no Centro Espírita Nova Revelação, localizado naquela época, os idos dos anos 30, no antigo (e ainda existente) edifício Martinelli, no centro da cidade. O Centro era presidido na época por uma figura impar pela nobreza de propósitos e conhecimento do processo mediúnico – teórico e prático: Manoel Laburu, um Argentino radicado no Brasil. Foi este o grande aconselhador e “mentor” intelectual do Jovem Sylvio e de toda uma geração de médiuns que, anonimamente participaram da construção e consolidação do movimento Espírita na Cidade de São Paulo nos idos dos anos 30. 

Foi com ele que Sylvio começou a compreender e lidar com aquilo que sempre havia sido espontâneo e onipresente em sua vida - suas faculdades mediúnicas bem definidas e inquestionáveis ou, conforme Kardec qualificou no livro dos médiuns, de “efeitos patentes, de certa intensidade e por sua vez fruto de uma organização (fisica) sensitiva”. De fato, por seu intermédio, uma serie de fenômenos de efeitos físicos ocorriam,  as vistas até de outras pessoas. Objetos que sumiam e apareciam em outros cômodos da casa, voz direta, efeitos físicos, levitação , psicofonia... Tudo previsto pelos Espíritos superiores para chamar a atenção dele próprio, de seus irmãos e amigos.

Durante quase 60 anos de dedicação e serviço em prol do próximo, sua excelência mediúnica, de características sonambúlicas, permitiriam milhares de comunicações, pela via psicofônica, de espíritos os mais diversos, colaborando seja para o esclarecimento de irmãozinhos recém-desencarnados em processos de libertação da terra, passando por desobsessões e  culminando na reprodução das palavras amigas e instruções valiosas de diversos companheiros desencarnados pertences a cidade de Áurea, núcleo espiritual de grandes proporções, geograficamente situada sobre a cidade de São Paulo e da qual o CKNA é uma espécie de posto avançado na Terra. 

Acima de tudo, ele se colocava a disposição para servir tão somente de instrumento da vontade daquele núcleo de amigos desencarnados que os apoiavam do outro lado.

A autenticidade mediúnica era reforçada e alicerçada na simplicidade de sua vida, retidão de caráter e ausência completa de orgulho. Sylvio foi o mote para o surgimento de algo maior envergadura que já havia sido planejado no mundo dos espíritos.

Aos poucos uma teia de amizades foi se montando ao redor dos irmãos Carlo e Sylvio. Amigos de outras vidas se reencontravam unidos por um interesse comum – compreender o fenômeno espírita e a pratica do evangelho de Jesus para colaborarem com o mundo dos espíritos na ajuda aos necessitados na terra. 

Um destes amigos tinha uma historia curiosa. Nascera no início dos anos 30 em uma família Italiana com forte tradição católica. Estudou no colégio São Bento e no colégio Sagrado coração de Jesus, ambos ligados diretamente a estas tradições. Isto o levou a ser inclusive coroinha da igreja por um longo período de tempo. 

Em meados dos anos 50 este jovem, já homem feito, Geraldo Thomaz Rinaldi, iniciou uma carreira promissora em uma empresa de origem europeia. E foi lá que conheceu ao “acaso” uma jovem, chamada Odilia, ou “dila” simplesmente, filha daquele tal Carlo Angelini e Aurora. Casou-se no final da década e a família, que já se considerava espírita na época, recebeu-o como um verdadeiro filho. Aos poucos foi se embrenhando no desconhecido ambiente espírita. Era movido a principio por um misto de curiosidade e desconfiança - o primeiro livro que leu em sua vida voltado as questões espiritualistas – a historia de um homem, do Professor Pietro Ubaldi, jogou literalmente na lata do lixo...

O tempo passou e, aos poucos, foi encontrando uma perspectiva de vida que desconhecia até então. Participava das sessões mediúnicas promovidas pelo sogro Carlo e Sylvio geralmente na casa da família. E foi aos poucos se convencendo que havia uma verdade a ser aprendida de tudo aquilo. Passou a ser frequentador constante das sessões e palestras espíritas. Em um dado momento – que nem mesmo ele percebeu, reescrevera suas crenças. Abraçou o Espiritismo, abandonando o passado católico. E foi buscar na lixeira o livro que tinha jogado fora.

No final dos anos 60, seu pai, Fioravante, um homem extremamente humilde e integro de caráter, num gesto de despreendimento impar, notando o quão importante a pratica e o estudo do espiritismo passou a ser para a vida do filho, ofereceu a ele o salão que tinha outrora  servido como parte de sua oficina de encanamento. Era um espaço simples, mas amplo, dado de coração por seu pai.

E foi graças a este singelo ato que, no dia 22 de agosto de 1967, Geraldo, Carlos, Sylvio e  outros amigos, unidos pelo mesmo ideal, fundaram  o Centro Kardecista de Estudos Espíritas, nome designado para a nova Casa e que incorporava os ideais dos seus fundadores – Trabalho sério no Espiritismo em prol do próximo, embasado em estudo e disciplina constante. “Conhecereis a Verdade, e a verdade vos libertará”